quarta-feira, 9 de julho de 2008

O valor dos atos

Desculpe-me, mas não dá para fazer uma crônica divertida hoje, simplesmente não dá. Não consigo, e não tem como disfarçar meu descontentamento, em relação á valorização que recebi por ter feito algo, que na minha opinião merecia gestos ou simplesmente alguma palavra de agradecimento. Vou explicar melhor, Hoje parecia uma típica manhã de sábado, monótona como sempre, nunca tinha nada para fazer, estava em meu apartamento como de costume, quando senti um aroma desconhecido, talvez viesse lá do meu apartamento mesmo, mas pelo que me constava, vinha de outro ambiente. Revirei o meu aposento, de lado a lado, e nada encontrei. Foi então, que me veio à cabeça, que poderia estar acontecendo uma catástrofe no apartamento ao lado. Resolvi procurar de onde provinha aquele aroma, que não era nada agradável.
Abri a porta principal do apartamento, e passei a ouvir gemidos, um ar desesperado pairou pela minha mente. Não sabia se procurava o som, ou se me aposentaria no meu apartamento, sem me intrometer no fato. Mas nada me fez mudar minha posição sobre isso, resolvi procurar o som, e acabar com aquela tortura de uma vez, afinal, na minha infância, passei por um sufoco que se não fosse meu vizinho, eu nem estaria aqui. Não sabia se entrava, se saía, ou se chamava alguém. Achei melhor entrar devagarzinho na casa do vizinho, podia ser algo urgente, e caso não fosse, eu fechava a porta rapidamente, e fim da história.
Mas a responsabilidade, a partir daquele momento, estava em minhas mãos. Não sabia se aquilo era um vulto, ou se eu estava desmaiando, mas uma fumaça constante se apoderou da minha visão. Avistei de longe, algo que mais parecia uma cadeira desmontada, bem no canto da parede, mas depois de segundos, reparei que "aquilo" se tratava de um alguém, um ser humano. Minhas opções eram estúpidas. Ou eu seria covarde e saía porta afora, e esqueceria o que se passava ali, ou arriscaria minha vida por aquela pessoa.
E foi exatamente a essa última opção que resolvi me agarrar, entrei e fui correndo em direção ao corpo, meu coração estava para pular pela minha boca, mais a minha vontade de salvar aquela vida, falou mais alto, peguei o corpo, e saí. Levei – o até a minha casa, e liguei para uma ambulância. Não passou 5 minutos desde a minha ligação, quando os enfermeiros já estavam subindo para levar o ferido. Perguntaram se eu estava bem, somente isso também, não me agradeceram, nem se quer falaram que eu tinha feito um ótimo trabalho, e o pior por parte da família do ferido nem um simples obrigado ouvi. Por isso agora, depois de umas 5 horas do acontecido, aqui estou sentada no sofá, pensando, como a gente confere o valor a algo? A um ato heróico, por exemplo? Existem coisas que os seres humanos dão muito mais valor, por exemplo, a um bem material, uma bolsa de marca, sendo que essa é apenas uma simples bolsa, e esta por muitos recebem altos elogios, e enquanto a um ato de coragem, de bondade, por parte de alguns nem se quer recebe um muito obrigado.Muitas vezes as pessoas acabam sendo injustas. Mas depende de cada um.
Chega!A próxima crônica será em relação às coisas boas da vida. Obrigada por ouvirem meu desabafo.

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